as escolhas em 3x4
O curta acima eu concebi e produzi em 2016, a partir dos diálogos em sala de aula na disciplina de Dança e Antropologia (se não me engano...) ministrada pelo Professor Felipe Ribeiro, lá do Departamento de Arte Corporal dos cursos de Dança da UFRJ, onde estudei Teoria da Dança.
Esse pequeno projeto foi um trabalho de final de período, em que eu estava insistindo em algumas métricas de corte e colagem que aparentemente só faziam sentido no desencontro mesmo. Sei lá, acho divertido essa coisa de deslocar som e imagem e foi um pouco isso que busquei provocar, a partir dessa montagem envolvendo algumas memórias registradas minhas, de dias diferente, o bom e velho acervo pessoal mesmo.
A definição é essa (mais definida impossível!), os momentos são variados, eu passei por eles bisbilhotando e trazendo comigo o eu que não estava ali, que é um pouco desse eu que filma, distraído na ação de capturar, anulando uma presença, muito afim de se realizar na pós produção, mesmo que ela nem esteja programada ainda. Essas imagens viraram algo junto porque já eram muita coisa separadas.
Ah! Também fazendo parte de um trabalho de disciplina, a colega de curso Nathália Silva, escreveu algumas inquietações sobre o vídeo-colagem. Segue:
Ah! Também fazendo parte de um trabalho de disciplina, a colega de curso Nathália Silva, escreveu algumas inquietações sobre o vídeo-colagem. Segue:
Por que trêsporquatro? Penso naquela fotografia que nos identifica em documentos oficiais, que dão números ao nome e ao rosto que somos. Quantos documentos cabem nos quadros de luzes que caminham? Quantas identidades somos ao mesmo tempo? Nos sons e imagens intercaladas, que experimentam relações assincrônicas 3x4 nos propõe desidentificações na fricção de som, imagem, e ação. Em fragmentos de imagens, nos tornamos pés em luz colorida, e também pé colorido, em luz branca. Somos olhar que recorta e olho fora de quadro. Voz e silêncio na sombra inquieta. Somos o que flutua no horizonte e o que aproxima. Somos recortes intercalados de momentos distintos que não se conectam entre si, e por isso mesmo se tornam experimentos para a assincrônia. Movidos pela estranheza da experiência, somos memória de um audio anterior atualizado em outra imagem e contexto. O áudio oscila a percepção e nos chega tanto como ruído à imagem quanto como propiciador de seu silêncio. Palavras saltitam solitárias e um tanto disformes. Todo movimento ganha uma matiz de passado, e nosso olhar de espectador ganha o frescor de um jogo dramaturgico, entre memória, presença, som, desenquadramentos, estranhezas, identificação, teoria, afeto, e experiências de corporeidade que a linguagem do vídeo torna possível.
Nathalia Silva
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► O vídeo-colagem foi exibido durante a 3ª Mostra Hífen de Pesquisa-Cena junto de outros trabalhos de conclusão de período da Disciplina acima citada.
► O vídeo-colagem foi exibido durante a 3ª Mostra Hífen de Pesquisa-Cena junto de outros trabalhos de conclusão de período da Disciplina acima citada.